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Eblin Farage é nova colunista do UàE

Eblin Farage

Professora Associada do curso de Serviço Social e do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Desenvolvimento Regional da UFF e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Favelas e Espaços Populares (NEPFE)/UFF. Estuda, pesquisa e desenvolve projetos de extensão nas áreas de direito à cidade, favelas, movimentos sociais, educação popular e educação superior. Militante do movimento docente do ensino superior público.

A construção do necessário retorno seguro às atividades presenciais nas universidades públicas

08 de março, 2022 Atualizado: 09:15

Em coautoria com Juliana Fiuza*

Assistir ao filme “A felicidade das pequenas coisas”[1], do cineasta butanês Pawo Choyning Dorji, remete-nos a necessárias reflexões sobre a importância das salas de aula, o significado do processo de ensino-aprendizagem de forma presencial, e a delicadeza que a ‘função’ do professor resguarda, um educador no sentido freiriano. Elementos, que transportados e adaptados à educação superior, instigam-nos a pensar sobre os desafios que temos para construir o retorno presencial das atividades acadêmicas nas Universidades públicas.

Em março de 2020, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou que os surtos da Covid-19, inicialmente notificados na China, tinham se tornado uma pandemia, ninguém poderia imaginar as consequências gravíssimas e o prolongamento da pandemia que, em proporções inéditas, certamente mudou e segue mudando a vida das pessoas em todo o planeta. Inicialmente, o desconhecimento acerca da doença levou desde medidas inócuas – como a corrida por papel higiênico nos supermercados e o uso de tapetes para limpeza dos solados de sapatos; até o atraso de outras que são hoje absolutamente inquestionáveis cientificamente, como o uso de máscaras, importante equipamento de proteção individual.

Países como o Brasil depararam-se com o avanço da pandemia em circunstâncias ainda mais dramáticas, pois vivenciavam o avanço do neofascismo ultraneoliberal, no nosso caso, ocupando o governo central. O que se intensificou  desde 2020,  foram políticas anticientíficas, um certo reviver do darwinismo social, da necropolítica e do genocídio. Associado ao completo descompromisso com a vida, um ensaio de ‘nazismo sanitário’, o avanço da pauta ultraneoliberal ampliou um processo de crise econômica, social, política, ambiental, educacional, coroada pela trágica pergunta – e daí? As parcas políticas sociais de transferência monetária, para uma população desempregada e sem nenhuma condição de manter qualquer isolamento social para preservar sua vida e de seus familiares, foram conquistadas pelo parlamento e pelo debate público. Ainda assim, o auxílio emergencial, contraditoriamente, ampliou a financeirização da assistência social, entregue sem mediação às instituições bancárias e pagas aos trabalhadores com mais exposição ao adoecimento em longas filas, reforçando o desprezo pela população mais pauperizada. A essa altura já são inúmeros os estudos que demonstram que a pandemia ampliou a desigualdade entre as classes em todo o mundo e matou muito mais pobres e negros do que ricos.

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