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Opinião

A farsa do “Novo Ensino Médio” da rede estadual do Rio de Janeiro

Imagem: Montagem UàE. Foto: UBES.
20 de março, 2023 Atualizado: 15:14

Em 2016, quando se anunciou a Reforma do Ensino Médio (Lei n. 13.415/2017), seus elaboradores e apoiadores propagandearam a ideia de que uma “modernização” no currículo escolar era necessidade de primeira ordem para o desenvolvimento da educação brasileira. Segundo eles, um currículo “atrasado”, “academicista”, “enciclopédico” representava um “ideal completamente anacrônico ao século XXI”, que estava levando muitos jovens a não perceberem a escola como algo atraente e conectado aos seus anseios, acarretando evasão e mau desempenho nas avaliações externas (cf. CRUZ, 2016; RAMOS, 2016; SCHWARTZMAN, 2018).

A solução proposta foi, para utilizar uma expressão do Instituto Ayrton Senna (2012), uma “inversão copernicana” no suposto método tradicional de aprendizagem: se, antes, os alunos voltavam-se à escola, agora era a escola que se voltaria aos alunos. Uma “verdadeira revolução na educação brasileira”, diriam outros (FOLHA DE S. PAULO; ITAÚ EDUCAÇÃO E TRABALHO, 2020, grifos nossos), pois “a partir de agora o estudante poderá fazer escolhas”. Os alunos exerceriam, em primeiro lugar, seu “protagonismo juvenil” — palavra-chave da propaganda da Reforma — ao terem liberdade de escolher, entre um cardápio de opções formativas, aquelas com as quais tivessem mais afinidade e aptidão. O local para a formação do “jovem protagonista” seria o novo componente curricular Projeto de Vida, no qual se esperava que desenvolveriam a “autonomia”, “projeção de futuro” e “competências socioemocionais”, isto é, as “exigências sociais e culturais” imprescindíveis ao século XXI.